quinta-feira, 1 de julho de 2010

Demita-se, ou seja demitido !!!!!

O Nosso Domenech / B. Ribeiro - RECORD

PORTUGAL DEVIA MUDAR DE SELECIONADOR. À BOA MANEIRA LUSA VAI ADIAR O PROBLEMA. SOFRE O NEGÓCIO E AUMENTA O DIVÓRCIO.

"A opinião não é (só) minha. Nem apenas de supostos inimigos pessoais do selecionador nacional.

É, por exemplo, dos mais de 20 mil utilizadores do Record Online que ontem responderam ao simples inquérito: Deve Carlos Queiroz continuar à frente da Seleção? 85% disseram não. É óbvio que não.

Como é óbvio que vai continuar, num País de brandos costumes e pouca exigência, onde é permitido ao selecionador dizer que a participação no Mundial foi positiva e que Portugal fez uma excelente exibição frente à Espanha. O mesmo homem que quando Scolari chegou a uma final de um Europeu e a uma meia-final do Mundial as desvalorizou dizendo que Portugal tinha era "de ganhar". O mesmo homem que quase deixava Portugal à porta da África do Sul e a deixa com uma vitória, dois empates e uma derrota." - Ler o resto em Lado B / Record.

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Selecção regressa a casa mais pequena do que foi....

Luis Sobral / Maisfutebol

"Antes de Portugal, a Espanha. A selecção que nos afastou do Mundial está distante da que venceu o Euro 2008. Defende pior, falta-lhe Iniesta, mais Torres, até aquele Senna imperial à frente da grande área. Provavelmente afastará o Paraguai, mas será surpreendente se afastar Argentina ou Alemanha.

Portanto, foi com uma Espanha muito menos forte do que em 2008 que Portugal perdeu.
Isto não significa que, do meu ponto de vista, a selecção portuguesa seja melhor do que a espanhola. Mas, viu-se esta noite, poderia ter provocado maiores danos a Casillas e até vencido. Era possível. Pelo menos visto de Lisboa, pareceu possível.

O que nos leva ao ponto essencial: a selecção portuguesa não demonstrou, em momento algum, convicção. Já nem falo em qualidade futebolística. Penso apenas em fé na capacidade própria e na possibilidade de incomodar o adversário, desequilibrá-lo, fazer-lhe mal. E eles, percebeu-se na forma como festejaram no fim, tinham dúvidas. Era «só» encorajá-los a reconhecê-las.

Recordo o posicionamento de Portugal com a Espanha e o Brasil e pergunto-me como foi possível ter chegado aqui. Correndo o risco de ser injusto, acho que a liderança de Carlos Queiroz está a trazer a selecção para um local que tinha abandonado há muitos anos. E isso é capaz de ser grave.

Neste Mundial, quando tivemos de enfrentar os melhores adversários, fomos pequenos.

Ler o resto em Maisfutebol.

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A baliza muito fechada e as bocas muito abertas - J M Ribeiro / O Jogo

"Se Queiroz fosse a julgamento pelo Espanha-Portugal, as testemunhas de acusação fariam fila pela praça e seriam de todas as cores, feitios e linguagens. Em cada defensor do futebol romântico, a selecção portuguesa - a dado ponto do Mundial transformada em símbolo inesperado do "defensivismo" - encontraria um crítico arrabiado. E mesmo aos espanhóis, de Del Bosque e Aragonês aos grandes comentadores como Santiago Segurola, calhou muito bem que Portugal defendesse o bastante para lhes agigantar o obstáculo e permitir ignorar olimpicamente as insuficiências de Espanha. Na primeira fila de testemunhas estariam, claro, Cristiano Ronaldo, Deco, Hugo Almeida e Nani, quatro jogadores munidos da melhor de todas as razões para arrancar ao tribunal o degredo de Queiroz: a falta de capacidade do seleccionador para lhes manter a boca fechada.

Sobrevivente comatoso de um apuramento traumático, Portugal entrou no Mundial sem Nani nem Bosingwa, fez valer os poucos jogadores que estão efectivamente entre os melhores do mundo - os centrais - e procurou emular uma espécie de manha italiana, imaginando-a como o caminho mais curto para ultrapassar todas as deficiências que carregava. Queiroz teve o azar de lhe ter corrido demasiado bem. Aos 58 minutos do jogo com o campeão europeu (e, há uns dias, candidato número um a campeão do mundo), o modelo fazia sonhar e ninguém queria saber se ofendia ou não as pupilas sensíveis dos Valdanos e Cruyffs. A selecção abananada dos tempos da qualificação e do particular com Cabo Verde desaparecera: estava ali, visível, uma equipa capaz de arrumar a Espanha de Villa, Xavi e Iniesta. Depois, Queiroz, como a máquina de calcular que efectivamente é, obedeceu à programação. Estava na hora de substituir Hugo Almeida, porque os índices de serotonina e a taxa de mercurocromo já deviam estar na reserva, de acordo com a tabela periódica.

Se Nani estivesse no banco, como provavelmente ele perspectivou quando fez a experiência no Football Manager, ninguém teria dado por nada, mas o único jogador veloz disponível era Danny, o grande fiasco do Mundial, já dispensando à larga qualquer necessidade de confirmação. Registada em chapa de impressão em todos jornais portugueses e espanhóis, mais alguns ingleses, franceses, italianos e brasileiros, a mudança fica como a prova de que Queiroz não foi capaz de ver o que era claro, naquele momento, para todos os outros. Nem a evidente inutilidade de Danny nos jogos anteriores. Puxada por essa intervenção autoflageladora, as análises trouxeram a julgamento a outra, de que até o seleccionador espanhol, Vicente del Bosque, achou por bem zombar: a utilização de um mito chamado Ricardo Costa na posição de lateral-direito, por onde correu, como a Heidi nos Alpes, o mais perigoso jogador espanhol. Ajudada por Eduardo, a selecção poderia ter feito valer a fórmula e Ricardo Costa talvez até acabasse por passar apenas por um resistente estóico à energia de David Villa; fracassado o golpe, salta de debaixo do tapete toda a poeira que se varreu para lá. É preferível um central de terceira categoria (até pela falta de consciência das limitações e por ter acabado o jogo a chamar a atenção para a "impressionante estatística de desarmes") a dois laterais-direitos de segunda categoria? Mais uma vez, como Nani, Bosingwa teria impossibilitado o debate, quer Portugal perdesse, quer Portugal ganhasse. Os problemas do Espanha-Portugal já a selecção os tinha há duas semanas.

Uma boa parte disto é apenas opinião e juízo de valor, quase inúteis num assuno tão importante, mas Cristiano Ronaldo, Deco, Hugo Almeida e Nani, sobretudo estes, responderam melhor do que ninguém à questão da continuidade do seleccionador, com matéria concreta e objectiva. Não querem Queiroz e estão cheios de razão até à raiz dos cabelos, à prova de caspa no caso de Ronaldo. Independentemente da permanência, ou não, do professor, quem não pode, de certeza, mandar na selecção são eles. E mandaram. Discutiram ordens em público, criaram dúvidas sem concretizar acusações e até afirmaram, preto no branco, que a eliminação foi culpa dele. A principal dúvida a respeito deste seleccionador, limpa de qualquer subjectividade ao contrário de outras, é a de que seja capaz de reduzir os jogadores à obediência. Fica como um símbolo do Mundial'2010 a cobertura que a RTP fez do banco português no jogo de anteontem. A certo ponto da segunda parte, Queiroz berra a Ronaldo, e repete o berro várias vezes, ordenando-lhe que se desloque mais para a direita. A impaciência crescente com que o faz é esclarecedora sobre o resultado da instrução. Mas quando se fala dos dois ou três anos de inutilidade material de Ronaldo na Selecção, a incapacidade de o fazer render sequer perto do que rende nos clubes é dos dois últimos seleccionadores. Não importa se os motivos são técnicos, tácticos, disciplinares ou psicológicos: quanto mais se culpar Ronaldo, mais se culpa Queiroz."


Não é preciso dizer mais nada. Demita-se ou seja demitido!

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